Eterno enquanto eu dure

eterno

Por que Deus nos programou para nascermos em uma família? Não poderíamos vir independentes ao mundo, sem pai, mãe, irmãos ou primos?

Venho de uma família muito apegada. Nos finais de semana, costumamos almoçar juntos, entre 25 a 30 pessoas. As crianças brincam de forma barulhenta, os jovens cantam tocando vários instrumentos e os adultos contam os fatos hilários da semana, rindo de suas próprias trapalhadas. Somos daqueles que riem e choram juntos, que colocam sete pessoas numa sala para assistir a uma ultra-sonografia e que dormem até na cozinha, só para não perder a companhia uns dos outros. Eu amo a minha família!

Se temos problemas? Ih, temos muitos! Alguns estão sem emprego, tem gente com câncer, com problemas de coração… Sem falar nas artrites e depressões. Os problemas nos acompanham sempre.

Mas não quando estamos juntos! Quando estamos perto uns dos outros, tudo é perfeito, porque para enfrentar os problemas, temos uns aos outros. Quando Deus instituiu a família, Ele sabia que, além do cuidado inicial com as fraldas e a alimentação, precisaríamos dos abraços, beijinhos e cafunés. E, para entendermos a DIMENSÃO do amor de Deus, era indispensável que recebêssemos amor de um lar.

Ele usou a família como uma ilustração para termos uma idéia, mesmo que pálida, de como Deus quer se relacionar conosco. Ao receber o amor da família, podemos entender melhor que Deus é:

  • Pai – Mateus 6:9;
  • Esposo apaixonado – Oséias 2;
  • Filho – Mateus 24:27; João 5:18;
  • Irmão Romanos 8:29; Hebreus 2:11;
  • Amigo CONSOLADOR – João 14:16;
  • E, cuida de nós como mãe – Isaías 49:15.

Ele sabia que para nós, não seria fácil se relacionar com um “Deus Invisível”. Por isso, nos cercou de demonstrações palpáveis do Seu amor.

Íntimos de Jesus

O Brasil acompanhou recentemente a história de Pedrinho que, aos 18 anos, descobriu ter sido roubado da maternidade pela mulher que o criou e dizia ser sua mãe. Esse relato nos fez pensar no drama que viveram seus pais verdadeiros,  ao passarem todo esse tempo tentando encontrar o filho perdido. Graças a Deus, ao saber da verdade, Pedrinho procurou seus pais, os aceitou e relaciona-se com eles.

A história de Pedrinho tem sido vivenciada por Deus desde que este mundo e Seus filhos foram seqüestrados por Satanás. A grande diferença é que muitos que descobrem serem filhos verdadeiros de Deus, negam o Pai e resistem a relacionar-se com Ele.

Aqueles que aceitam a Deus como Pai sabem que aqui não é sua casa, e acabam desenvolvendo um relacionamento maravilhoso com Jesus, tornando-se cada vez mais parecidos com Ele. É por isso que Cristo fez questão de diferenciar Seu reino deste mundo.

Veja esta oração de Jesus: “Eu lhes dei a tua mensagem, mas o mundo ficou com ódio deles porque eles não são do mundo, como eu também não sou. Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno. Assim como eu não sou do mundo, eles também não são.” João 17:14-16 – NTLH. Você viu que Jesus disse duas vezes que não é do mundo, e que os que O seguem também não são? Porém, eu quero que você preste atenção nisto: “o mundo ficou com ódio deles por que eles não são do mundo”.

Você se encontra com Jesus, o aceita e passa a conhecê-Lo melhor. Aos poucos, percebe que está ficando mais parecido com Jesus e mais diferente do mundo.

Embaixadores em terra estranha

acesarMas, se ao seguir Jesus nos tornamos diferentes do mundo, então como devemos agir enquanto vivemos aqui?

A Bíblia diz que “Somos embaixadores de Cristo.” 2Coríntios 5:20. Um embaixador representa bem seu país enquanto está fora. Cristo viveu num país dominado por um império corrupto, injusto e imoral. Mesmo assim, quando Lhe perguntaram se era lícito pagar impostos, Ele respondeu: “Dêem a César o que é de César [imperador romano que dominava o mundo na época de Cristo] e a Deus o que é de Deus.” Mateus 22:21 (ênfase acrescentada).

Você é um cidadão do reino de Deus, mas enquanto está aqui no mundo, deve cumprir os seus deveres. Cumpra as leis que regem seu país: “Por causa do Senhor, sujeitem-se a toda autoridade constituída entre os homens; seja ao rei, como autoridade suprema.” 1Pedro 2:13. Mas, o que fazer quando as leis civis entram em choque com a lei de Deus? Pedro e os outros apóstolos responderam: ‘É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens!’” Atos 5:29. Deus sempre deve ficar em primeiro lugar.

Você Pode Ter a Melhor Família do Mundo!

Ninguém escolhe a família em que nasce. Mas, o que você pode fazer em relação à sua felicidade, é escolher a família que gostaria de ter e construí-la. Você começa a fazer isso quando escolhe alguém para casar. Se você não teve uma família feliz na infância, faça a sua parte para ter a família dos seus sonhos.

“Os filhos são herança do Senhor”. Salmo 127:3. E, por serem propriedades do Senhor, são presentes que Deus confiou aos nossos cuidados. É um prazer indescritível termos filhos, mas não podemos nos esquecer da grande responsabilidade. O pedido de Deus é: “Que estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar.” Deuteronômio 6:6 e 7. Um dia, o Senhor irá nos perguntar: “Onde estão os filhos que lhe dei?” Nossa resposta precisa ser: “Aqui estou eu com os filhos que o SENHOR me deu.” Isaías 8:18.

“Até Que a Morte os Separe?”

amorteComo acreditar no amor, quando os casamentos duram cada vez menos? Segundo um estudo do IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), os casamentos no Brasil duram, em média, dez anos.

Então, o que une o casal? O amor? E o que é o amor? Experimente esta definição de amor que está na Bíblia: “O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.” 1Coríntios 13:4 a 6.

Nenhum relacionamento deixa o ser humano mais vulnerável que o casamento. Nele, duas pessoas se conhecem profundamente e, por isso, nunca vai existir melhor remédio para a esposa do que o marido. Pois ninguém sabe, como ele, tocar na ferida mais íntima para poder curá-la. É por isso, também, que nunca vai existir pior veneno para a esposa do que o marido. Pois ninguém sabe, como ele, tocar na ferida mais íntima para poder transformá-la num câncer. Você escolhe! (Lembrando que isto também se aplica à mulher em relação ao esposo).

Jesus era muito moderno e revolucionário para Sua época. Porém, mesmo sendo assim, assumiu uma posição conservadora quanto ao divórcio: “Alguns fariseus aproximaram-se dele para pô-lo à prova. E perguntaram-lhe: ‘É permitido ao homem divorciar-se de sua mulher por qualquer motivo?’ Ele respondeu: ‘Vocês não leram que, no princípio, o Criador os fez homem e mulher e disse: Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à  sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne? Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém separe’.” Mateus 19: 3 a 6.

Quando leio a revista Veja, aprecio muito as colunas de Stephen Kanitz. Gostaria de compartilhar com você esta jóia que ele escreveu outro dia:

“Meus amigos separados não cansam de me perguntar como eu consegui ficar casado trinta anos com a mesma mulher…

Hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para escapar. Ninguém agüenta conviver com a mesma pessoa por uma eternidade. Eu, na realidade, já estou em meu terceiro casamento – a única diferença é que me casei três vezes com a mesma mulher. Minha esposa, se não me engano, está em seu quinto, porque ela pensou em pegar as malas mais vezes do que eu.
O segredo do casamento não é a harmonia eterna. Depois dos inevitáveis arranca-rabos, a solução é ponderar, se acalmar e partir de novo com a mesma mulher. O segredo no fundo, é renovar o casamento, e não procurar um casamento novo.[1]

Eu resumiria as palavras de Kanitz dizendo: “O amor de verdade, não é “eterno enquanto dure”, mas ETERNO ENQUANTO EU DURE. Como Paulo afirma, “o amor jamais acaba” (1Coríntios 13:8).


[1] Kanitz, Stephen. Revista Veja. Ed. 1922, Ano 38, Nº 37, 14 de setembro.

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