Não Julguemos as Pessoas. Podemos ser parecidos

naojulguemosaspessoas - esperancaPrimeiro de tudo olhe-se a si mesmo. Depois… olhe-se de novo. Não podemos julgar os motivos do coração das pessoas.

Algumas pessoas são duras, ríspidas, autoritárias. Parecem um cacto, expondo facilmente os espinhos, os quais, na verdade, servem como defesa, nesta planta e nestas pessoas. Devemos julgá-las? Quem não tem este temperamento, é melhor que elas?

O nome “cacto” surgiu há cerca de 300 anos antes de Cristo com o grego Teofrastus. Em seu trabalho Historia Plantarum, ele associa o nome cacto à plantas com fortes espinhos. Todos os cactos florescem, e certas espécies só dão flores após os 80 anos de idade. Depois da primeira floração, todo ano, na mesma época, as flores reaparecem. Algumas espécies dão frutos comestíveis como o cacto mexicano Opuntia Ficus-indica, que produz o figo-da-índia. Apesar de 92% de sua estrutura ser água, a presença do cacto indica sempre solo pobre e seco.

Um dia Jesus disse: “Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados.” Mateus 7:1 e 2. Muitos acham ter superior discernimento e assim criticam os motivos das pessoas. Com nossa mente finita e limitada não podemos ler o coração das pessoas. Nossa tendência é julgar pelas aparências e, então, cometemos graves erros. Somos imperfeitos, por isso não estamos qualificados para o julgamento de outros.

Os que tendem a criticar e tentam corrigir os outros, frequentemente possuem faltas que podem ser inconscientes para eles mesmos as quais podem ser piores do que aquelas que eles condenam nas pessoas. Estas atitudes fazem mais mal do que bem. Será melhor evitarmos colocar o foco das conversas sobre faltas dos outros pois isto cria uma disposição infeliz.
Já que não podemos ler o coração das pessoas, é melhor não atribuir a elas motivos errados. Nem todos tiveram boa educação. Alguns vieram de lares quebrantados por abusos variados, gerando crianças duras, defensivas, autoritárias, como cactos cheio de espinhos, brotando palavras ríspidas facilmente. Quando crianças talvez copiaram este modelo de algum adulto que exercia forte influência sobre elas. E/ou aprenderam a ter “espinhos” para se defenderem dos abusos reais e do medo deles. Daí, os espinhos passaram a ser parte de seu ser.
Se o amor habita em nosso coração, os sentimentos e palavras serão amáveis para com as pessoas que (ainda) não sabem ser amáveis e dóceis, talvez porque ainda não percebem seus espinhos, não sabem abaixar a guarda e dialogar com serenidade. Talvez nosso amor para com elas seja o único caminho e remédio para que elas possam dar flor, ou seja, serem dóceis.

Comparar nós mesmos com qualquer pessoa não é algo sábio. Se você exige dos outros uma perfeição que você mesmo não possui, não é algo injusto? Não cria tensão no relacionamento? Muitas vezes julgamos as pessoas por erros que também cometemos ou por comportamentos que também possuímos, só que não percebemos ainda ou disfarçamos.

Quando condenamos ou criticamos outros, nos declaramos a nós mesmos culpados. Nosso caráter é revelado pela maneira como tratamos os outros. Aquele que não percebe que não percebe, pensa que percebe. São os cegados pela malignidade os mais propensos a criticar e condenar. E podem possuir uma rebeldia maligna em seu caráter. Lembre-se: a sentença que você passar para outros, estará sendo passada sobre você mesmo. Lembre-se também de que aqueles com quem você lida tem sensibilidades tão afiadas quanto as suas. Uma palavra amável, uma mão ajudadora, um braço sobre os ombros com compaixão, podem salvar estes “cactos” da ruína. Demonstre misericórdia, bondade, humildade de mente, simplicidade, paciência, perdão, e amor para com estas pessoas rudes. Algumas não conseguirão florescer nem mesmo depois de 80 anos porque não se interessam por isto, deixando sempre e somente os espinhos à vista e machucando a todos constantemente. Outras aprenderão a abandonar seus espinhos e usar defesas mais adequadas quando se sentirem ameaçadas. Florescerão e até alimentarão outros! Elas precisam de consciência (percepção) e escolha de comportamento melhor. Como todos nós. Vamos refletir seriamente sobre um pensamento que diz: “Primeiro de tudo, olhe-se a si mesmo. Depois … olhe-se de novo.”

Dr. César Vasconcellos
www.portalnatural.com.br

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