Amando sempre

É muito bom aprendermos a valorizar o que realmente sustenta a vida a dois – o amor. Pois, as colunas que elevam e sustentam o casamento são as palavras, gestos e atos de amor.

Antes de tudo, precisamos escolher amar sempre. Escolher encher nossa vida de amor. Escolher caminhos que revelem, em todo seu percurso, o poder do amor como princípio de vida. Aliás, a própria escolha, em si mesma, é uma evidência de que nossa vida é regida pelo amor de Deus.

Contudo, não esqueçamos o fato de que, quando o apóstolo João definiu o próprio Deus em Sua essência como amor (I João 4:8), deixou bem claro que o amor além de ser um substantivo, é também verbo (João 1:1). Por isto, Benjamim Shield disse: “O melhor discurso é a ação”. Por sua vez, Richard Carlson afirmou: “Verdadeiras escolhas amorosas exigem verdadeiros atos de amor” – Os Caminhos do Coração, p. 19.

Todos os dias, as oportunidades e as possibilidades de desenvolvermos nossa capacidade de amar são inúmeras. Começam no momento que acordamos. Por exemplo: quando elevamos a mente a Deus em oração na brisa do amanhecer; quando acordamos o cônjuge sussurrando que o amamos e beijamos suas mãos, suas costas e seu rosto; quando saudamos a vida com alegria. Assim, já começamos o dia escolhendo o amor.

Ainda que não tenhamos motivos, uma vez que o verdadeiro amor, mais do que um sentimento, é um princípio, saúde a vida cada dia, com mais amor.

Podemos perceber facilmente que um dos grandes desafios do amor na vida a dois, é trocar a lógica do “vou amar quando…” (amor condicional), pelo princípio do amor incondicional “vou amar sempre.” A nossa tendência natural é amar as pessoas e a vida quando são ou estão do jeito que queremos. Por exemplo: quando o cônjuge nos trata muito bem, quando os filhos se comportam e fazem coisas que nos causam orgulho, quando os sogros ficam do nosso lado,quando os colegas de trabalho nos ajudam, quando a vida está em tudo sorrindo para nós, inclusive a arrumação da nossa casa.

No livro “Momentos de Intimidade com Deus”, Marita Littauer compartilha sua experiência de amor incondicional ao escolher priorizar a felicidade de seu marido a ter uma sala de estar adequada para receber suas amigas. Ela nos conta o seguinte:

“Chuck, meu marido, tem um aeromodelo cujas asas chegam a medir um metro e meio. É impossível enfiá-lo em qualquer canto. Em nossa casa, fica pendurado bem no alto, no teto de nossa sala de estar. É um biplano vermelho vivo, impossível de não ser notado. Como é muito importante para Chuck, aceitei-o como mais um item em nosso dia-a-dia.

Recentemente, após passar horas limpando seu aeromodelo, ele o levou a um show de aeromodelagem, em que seu avião fez um bocado de sucesso. Chuck descobriu que era mesmo muito valioso. Antes de devolvê-lo a seu gancho no teto, procurou protegê-lo, cobrindo-o com plásticos da lavanderia, com propaganda e tudo.

Ter aquele aeromodelo pendurado no teto é um ato de concessão e de amor. No entanto, ter aquele objeto coberto com sacos da lavanderia, com palavras escritas nele, era demais.

– Jamais poderei receber visitas em casa novamente… – queixei-me. Após minha reação exacerbada, saí e comecei a podar minhas rosas. Quando respirei fundo, Deus falou comigo: “Ame-o de forma extravagante”.

Pensei: Tudo bem. Será que realmente faz muita diferença o aeromodelo estar coberto com um plástico ou não? O que é mais importante: meu marido estar feliz ou eu ter uma casa adorável?… Voltei para dentro de casa e pedi-lhe desculpas, pois já estava preparada para aceitar os plásticos da lavanderia. Nesse meio tempo, ele decidira que eu tinha razão e que aqueles sacos plásticos eram feios demais. Retirou o aeromodelo, removeu os plásticos da lavanderia e cobriu tudo com filme plástico, que nem mesmo era visível!”

Quando escolhemos amar, reagimos com compreensão, aceitação, perdão e superação. Tanto nas pequenas como nas grandes questões da vida a dois. Isso acontece todas as vezes que decidimos trocar a facilidade do “vou amar quando…” pela dificuldade do “vou amar sempre.” Quando escolhemos amar sempre, aprendemos a responder à vida com amor, ainda que não seja lógico.

Naquela manhã, quando o sol ainda estava despontando no horizonte, um homem idoso procurou o Pronto Socorro mais próximo de sua casa, a fim de fazer um curativo. Ele pediu para ser atendido com urgência porque estava atrasado para um compromisso muito importante. A enfermeira que o atendeu, ficou curiosa em saber qual era a razão de tamanha pressa. Então, ele respondeu que não podia perder o horário de tomar o café da manhã com sua mulher que estava internada, há bastante tempo, num Asilo de Velhos. Em tom de tristeza comentou que há cinco anos sua esposa não o reconhecia por causa do Mal de Alzheimer. Surpreendida a enfermeira comentou: – É muito sublime sua atitude, mas posso lhe garantir que ela não sentirá sua falta. O senhor não precisa ir ao asilo todas as manhãs porque ela nem sabe quem é o senhor. O velhinho ficou em silêncio, esperou que a enfermeira terminasse o curativo, apertou sua mão em agradecimento e se despediu dizendo: “É verdade que ela não sabe quem eu sou, mas eu sei muito bem quem ela é”. Richard Carlson afirma: “No correr da vida tenho observado que quem escolhe preencher sua vida com amor a torna mais rica e produtiva, mais gratificante.” – Os caminhos do Coração, p. 19.

Fonte: www.vidaadois.net

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