A Esperança dos Séculos

Durante longos séculos, o povo esperou a chegada do Messias e Reden­tor prometido. Todas as famílias hebréias acalentavam a esperança de que em seu meio nascesse o Filho da promessa. Finalmente, ele nasceu na humilde al­deia de Belém, numa estrebaria rústica e malcheirosa, tendo apenas a compa­nhia dos animais.

Não havia ninguém ali para Lhe dar as boas-vindas, ou para acompanhar os solitários pais. Nenhum amigo, nenhum parente, nenhuma pessoa solidária, ne­nhum comunicador para espalhar a notícia! E, e se alguém ficou sabendo do nas­cimento, deve ter pensado que se tratava de mais um menino na face da Terra. Mas, pior ainda, quando o rei Herodes percebeu que podia se tratar do Messias prometido, fez o que pôde para destruí-Lo. “Mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores” (Mateus 2:16).

Jesus não veio ao mundo por acaso, tampouco num momento qualquer da história. Veio quando chegou o tempo certo (Gálatas 4:4, NTLH), quando o re­lógio divino marcou a hora precisa, segundo os sábios e eternos planos do Altís­simo. Alguém pode achar que Jesus demorou muito para chegar. Porém, Deus estava (e está) no controle do tempo e dos acontecimentos. A escritora Ellen White comenta: “Como as estrelas no vasto circuito de sua indicada órbita, os desígnios de Deus não conhecem adiantamento nem tardança.”[1]

Jesus nasceu no momento em que o mundo estava preparado para a chegada do Salvador. As nações estavam unidas num mesmo governo e se falava vasta­mente o grego em quase toda a extensão do império. Os romanos haviam esta­belecido um complexo sistema de caminhos que permitia viajar com muito mais facilidade, e o sistema de correios estabelecido por eles acelerava as comunicações.

Havia uma espécie de globalização, processo que teve início quando Alexandre Magno procurou “unir toda a humanidade sob uma mesma civilização de tona­lidade notadamente grega”,[2] resultando no helenismo.

Por sua vez, as religiões de mistério haviam perdido grande parte de seu es­plendor, e os homens se encontravam cansados de cerimônias e fábulas. Depois de tantos séculos de trevas, o desejo pela luz era evidente. As pessoas anelavam algo novo e estavam preparadas para receber o Salvador. O mal tinha atingido o clímax no planeta, e era hora de Deus fazer uma intervenção espiritual, mos­trando um novo horizonte para a humanidade.

Como os judeus estivessem espalhados, a expectativa da vinda do Mes­sias era, até certo ponto, conhecida e partilhada por pessoas de várias nações. Afinal, a própria Bíblia hebraica estava traduzida para o grego (Septuaginta). Isso era importante porque o plano de Deus era alcançar o mundo com as boas- novas da chegada do Salvador. Finalmente, as condições para a divulgação do evangelho haviam se tornado mais favoráveis, e Deus achou que esse era o mo­mento ideal para o nascimento de Jesus.

O historiador Justo Gonzalez comenta: “A ‘plenitude do tempo’ não quer di­zer que o mundo estivesse pronto a se tornar cristão, como uma fruta madura pronta para cair da árvore, mas que, nos desígnios inescrutáveis de Deus, havia chegado o momento de enviar Seu Filho ao mundo para sofrer morte de cruz, e de espalhar os discípulos pelo mundo, a fim de que eles também dessem tes­temunho custoso de sua fé no Crucificado.”[3]

O dia mais importante

Quando os astronautas da Apolo XI pisaram o solo lunar em 20 de julho de 1969, Richard Nixon, então presidente dos Estados Unidos, declarou: “Este é o dia mais importante da história, a maior façanha dos homens.” Mas o dia mais importante da história não teria sido quando Jesus pisou a Terra, naquela estre­baria em Belém?

Contudo, enquanto a chegada do homem à Lua era anunciada com júbilo em todo o mundo, a chegada de Cristo ao nosso planeta foi anunciada de noite a um grupo de pastores de ovelhas, perto de uma modesta aldeia da Palestina.

Assim nasceu o Prometido de Deus, do modo mais inesperado, no lugar menos pensado, e diante da indiferença menos merecida. O poderoso Dono do Universo, nascendo no lugar mais humilde, identificando-Se com as necessida­des humanas de todos os tempos, e mostrando a excelência incomparável da humildade, como a virtude que torna os homens realmente grandes, deixa-nos uma memorável lição: a verdadeira grandeza há de ser acompanhada sempre pela humildade! Do contrário, a grandeza deixa de existir para converter-se em orgulho, sede de fama ou ambição de poder.

Boa parte das realizações mais importantes do mundo teve um começo muito humilde. A vida e a obra transcendente de Jesus assim o demonstram, a partir de Seu humilde e secreto nascimento. O pequeno de hoje, amanhã pode ser grande em sua vida; e sua modéstia atual pode preceder suas melhores con­quistas de amanhã!

O povo sabia de verdade quem havia nascido em Belém? As opiniões estavam muito divididas, como estão até hoje. Mesmo entre os chamados “cristãos”, mui­tos veem em Jesus apenas um profeta iluminado, ou um mártir incompreendi­do. E não faltam as ideologias sociais e políticas que disputam o grande Mestre como seu real precursor. Quanto de correto têm essas pretensões?

Homem incomum

Napoleão Bonaparte se encontrava cativo na ilha de Santa Helena, onde mor­reu em 1821. Certo dia, ele comentou com seu fiel colaborador, o general Ber­trand: “Escute, Jesus Cristo não é um homem. Seu nascimento, a história de Sua vida, a profundidade de Sua doutrina, Seu evangelho, Seu império, Sua marcha ao longo dos séculos, tudo isso é para mim uma maravilha, um mistério inexpli­cável. Alexandre, César, Carlos Magno e eu fundamos impérios, mas em que se fundamentam as criações de nosso gênio? Na força. Somente Jesus Cristo fun­dou um império com base no amor, e neste exato momento milhões de pessoas morreriam por Ele.”

Enquanto os grandes guerreiros e conquistadores se moveram pelo amor ao poder, Jesus Cristo agiu com o poder do amor. E, em resposta à Sua entrega re­dentora, quantos milhões de homens e mulheres entregam a vida a Ele!

Por isso, Napoleão continuou dizendo: “Só Cristo conseguiu conquistar de tal maneira a mente e o coração dos homens que para Ele não há barreiras de tempo nem de espaço. Pede o que o filósofo em vão busca de seus adeptos, o pai de seus filhos, a esposa do esposo; pede o coração… O maravilhoso é que Seu pedido é atendido! Todos os que sinceramente creem em Cristo experi­mentam esse amor sobrenatural para com Ele, fenômeno inexplicável, supe­rior a possibilidades humanas… Isto é o que mais me surpreende; o que me faz meditar com frequência; o que me demonstra, sem dúvida alguma, a divindade de Jesus Cristo.”

Napoleão teve que chegar ao cativeiro e ao exílio para pronunciar essas palavras e reconhecer a realidade do poder de Jesus. A trajetória de sua vida te­ria sido muito diferente se ele houvesse pensado em Jesus enquanto conquistava espaços e destruía vidas arbitrariamente em busca de uma glória vã e passageira.

Ao testemunho de Napoleão poderíamos acrescentar muitos outros do mes­mo teor. Durante sua vida, essas pessoas ignoraram Cristo e até se opuseram a Ele tenazmente, mas, no fim do caminho, voltaram atrás. Podemos mencionar, por exemplo, a atitude de Voltaire (1694-1778), o célebre escritor francês que se gloriou de seu agnosticismo. Ele se esforçou para desprestigiar o cristianismo e seu Fundador, e até animou-se a predizer que a fé cristã iria desaparecer. Mas, na hora de sua morte, Voltaire abandonou sua postura anterior, pediu perdão a Deus e exclamou: “Cristo! Cristo!” De quantas bênçãos se privou esse grande incrédulo ao longo de muitos anos por se haver levantado contra a pessoa de Jesus! Podia ter tido paz, mas não a teve; alegria, mas tampouco a teve; esperan­ça, mas achava que não necessitava dela! Podia ter se sentido um filho de Deus, mas foi apenas filho de suas próprias ideias anticristãs!

Terminemos esta seção recordando as palavras do oficial romano que esteve diante de Jesus durante a crucifixão. Impressionado pela dignidade de Cristo e pelas palavras que pronunciou da cruz, o soldado ex­clamou quando Jesus expirou: Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus! (Marcos 15:39).

Não é uma contradição negá-Lo tanto e até crucificá-Lo para, no fim, re­conhecer que o Crucificado “era o Filho de Deus”? A obstinação pode fazer com que a pessoa insista em rejeitar as evidências da divindade de Jesus Cristo. Porém, isso não resolve o problema do ser humano. Aceitar Jesus como o Mes­sias divino nos assegura a rica bênção que somente Ele pode dar. Saliente no co­ração esta linda verdade!

A imagem do Deus invisível

O apóstolo Paulo declara que Cristo “é a imagem do Deus invisível, o primo­gênito de toda a criação, pois nEle foram criadas todas as coisas nos céus e sobre a terra. […] Ele é antes de todas as coisas. NEle, tudo subsiste” (Colossenses 1:15-17).

Se Jesus criou “todas as coisas” e existia “antes de todas as coisas”, pode-se tirar disso uma grande verdade: que Ele é Deus, integrante da Divindade, eterno e sem começo no tempo. “No princípio”, como declara João, “era o Verbo [Jesus], e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dEle, e, sem Ele, nada do que foi feito se fez” (João 1:1-3). E Jesus Se encarnou, assu­miu nossa natureza “e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade” (v. 14).

Mais tarde, novamente o discípulo João fala do mesmo assunto, e diz que estamos “em Seu Filho, Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus, e a vida eterna” (1 João 5:20).

Também é João quem registra as palavras do discípulo Tomé, que inicialmen­te não creu na ressurreição do Mestre, mas, quando viu por si mesmo o Senhor ressuscitado, exclamou: “Senhor meu e Deus meu!” (João 20:28). Tomé chamou Jesus de Deus, e não estava errado. Se houvesse cometido um erro ao chamá-Lo assim, Jesus o teria corrigido, não acha?

Voltando a Paulo, ele diz que Cristo “é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre” (Romanos 9:5). O mesmo que, por amor a nós, assumiu a natureza hu­mana e Se fez totalmente homem para Se colocar em nosso lugar foi também e continua sendo nosso Deus onipotente, o Autor de nossa redenção.

Se Jesus não fosse Deus, que valor ou que significado teria Sua morte na cruz? Não seria a oferta do Deus-homem que morreu em nosso lugar, mas apenas a morte de um mártir inocente. “Deus prova o Seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8). “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos” (João 15:13).

Predições cumpridas

Nas páginas do Antigo Testamento existem numerosas profecias sobre o es­perado Messias formuladas com muitos séculos de antecedência, algumas das quais não foram entendidas claramente. Mas, quando se cumpriram com admi­rável precisão, então se observou nelas seu conteúdo messiânico. Citemos ape­nas algumas dessas profecias:

  1. O Messias nasceria em Belém (Miqueias 5:2). Mateus diz de maneira explí­cita que Jesus nasceu em “Belém da Judeia, em dias do rei Herodes” (Mateus 2:1; ver também Lucas 2:4-6). Justino, nascido na Palestina por volta do ano 100 d.C., menciona, cerca de 50 anos mais tarde, que Jesus nasceu em uma caverna pró­xima a Belém (Diálogo 78).
  2. Nasceria de uma virgem e Se chamaria Emanuel (Isaías 7:14). Isso se cum­priu, segundo Mateus 1: 22, 23 e 25. Emanuel significa “Deus conosco”, e a encar­nação de Jesus é a prova do desejo de Deus de morar com Seus filhos.
  3. 3. Seria levado ao Egito (Oseias 11:1). Quando o rei Herodes, monarca da Judeia, soube que havia nascido um menino a quem alguns identificavam como futuro “rei dos judeus”, decidiu matar todos os meninos menores de dois anos que havia em Belém (Mateus 2:14, 15). Mas os pais de Jesus conseguiram fugir para o Egito, para salvar a vida do recém-nascido.
  4. João Batista seria Seu precursor (Isaías 40:3; Malaquias 3:1). João Batista foi um profeta que gerou um reavivamento espiritual entre o povo judeu, preparan­do assim o caminho para a chegada do Messias (Mateus 3:1-3; 11:10).
  5. Realizaria uma vasta obra espiritual mediante a unção do Espírito Santo (Isaías 61:1, 2). Segundo essa profecia, Jesus traria alívio aos quebrantados de co­ração e daria visão aos cegos. No início de Seu ministério, Cristo afirmou ser o cumprimento dessa promessa (Lucas 4:18-21). A partir de então, não deixou de consolar os tristes e curar os doentes.
  6. Falaria por parábolas (Salmo 78:2). Mateus 13:34 e 35 diz: “Todas estas coisas disse Jesus às multidões por parábolas e sem parábolas nada lhes dizia”. De fato, nos evangelhos aparecem mais de 50 parábolas proferidas por Jesus.
  7. Seria nosso pastor (Isaías 40:11). O próprio Jesus assumiu esse título. Ele afir­mou: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas” (João 10:11).
  8. Seria traído por um amigo próximo (Salmo 41:9). Os evangelhos narram que Judas, um de Seus discípulos, entregou Jesus para ser julgado, traindo-O (João 18:2, 3).
  9. Seria vendido por trinta moedas de prata (Zacarias 11:12). Trinta moedas de prata era o preço que se pagava por um escravo (Êxodo 21:32), e equivaliam a 120 dias de salário de um trabalhador. Mateus 26:14 e 15 afirma que Judas re­cebeu trinta moedas de prata por trair Jesus.
  10. Suas mãos e Seus pés seriam perfurados na crucifixão (Salmo 22:16). Segundo o historiador Josefo, a crucifixão era uma prática comum na Palestina. Essa era uma das piores formas de tortura e um dos métodos de execução mais cruéis que tinham sido inventados. Com respeito às feridas que deixaram os pre­gos em Suas extremidades, Jesus afirmou: “Vede as Minhas mãos e os Meus pés, que sou Eu mesmo; apalpai-Me e verificai” (Lucas 24:39).
  11. Zombariam do Messias (Salmo 22:7, 8). Os evangelhos nos contam que os judeus “zombavam dEle” e os que estavam crucificados com Ele “O insulta­vam” (Marcos 15:29-32).
  12. Dariam vinagre e fel para Ele beber (Salmo 69:21). Um soldado romano ofereceu vinagre com fel a Jesus na cruz (Mateus 27:34, 48). A mistura de vina­gre com fel produzia no crucificado certo adormecimento. Porém, Jesus o rejei­tou, já que não queria nada que Lhe tirasse a lucidez num momento como aquele.
  13. Dividiriam Suas roupas entre si e lançariam sortes sobre Suas vestes (Salmo 22:18). A túnica de Cristo (João 19:23) era sem costura; por isso, no mo­mento da crucifixão, os soldados romanos decidiram lançar sortes sobre ela em vez de dividi-la em partes (Mateus 27:35).
  14. O Messias sofreria para consumar nossa salvação (Isaías 53:4-9). Seria me­nosprezado, açoitado, ferido, abatido; levado como ovelha ao matador, sem abrir Sua boca. Isso se cumpriu de forma dramática quando Cristo ofereceu a vida, segundo a narração detalhada nos quatro evangelhos.
  15. O Messias nasceria no tempo determinado por Deus e predito pela profe­cia (Daniel 9:24-27). Em síntese, essa profecia diz que o Messias (isto é, Cristo, o Ungido) apareceria 483 anos após o decreto emitido em 457 a.C. para res­taurar Jerusalém, o que equivale ao ano em que Jesus foi batizado e iniciou Seu ministério público, em 27 d.C. Ao começar Seu trabalho, Jesus proclamou: “O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo” (Marcos 1:15). Essa referência ao tempo indica que Ele tinha consciência das profecias messiâni­cas do Antigo Testamento e em especial dessa profecia de Daniel. Sem dúvida, a missão do Salvador transcorreu em harmonia cronológica e teológica com o cuidadoso planejamento profético (veja o diagrama).

Essa profecia de Daniel tem uma precisão matemática tão grande que o pró­prio Sir Isaac Newton (1643-1727), o gênio inglês da matemática, ficou fascina­do por ela. Dono de uma extensa biblioteca de filosofia e teologia, o formulador da lei da gravitação universal tinha grande interesse não apenas pelas experiên­cias da ciência, mas também pelo estudo sério da Bíblia, e chegou a escrever um comentário sobre as profecias de Daniel e do Apocalipse.

Na obra As Profecias do Apocalipse e o Livro de Daniel, o cientista expres­sa sua confiança nas profecias, com destaque para Daniel. “A autoridade dos imperadores, reis e príncipes é humana; a autoridade dos concílios, sínodos, bispos e presbíteros é humana. Mas a autoridade dos profetas é divina e com­preende toda a religião”, ele escreveu. “A predição de coisas futuras refere-se à situação da igreja em todas as épocas: entre os antigos profetas, Daniel é o mais específico na questão de datas e o mais fácil de ser entendido. Por isso, no que diz respeito aos últimos tempos, deve ser tomado como a chave para os demais.” Para Newton, rejeitar as profecias de Daniel “é rejeitar a religião cristã, pois que essa religião está fundada nas profecias a respeito do Messias”.[4]

Como diz o teólogo Gleason Archer em referência à profecia de Daniel 9:24-27, “somente Deus poderia predizer a vinda de Seu Filho com tão admirável precisão; ela desafia toda e qualquer explanação racionalista”.[5] Mais de cinco séculos antes, Deus anunciou o tempo exato do início do minis­tério de Cristo e a ocasião de Sua morte. Como foi isso? Vamos entender melhor a predição.

Próximo ao fim dos 70 anos do cativeiro israelita em Babilônia, que teve início em 586 a.C., Deus explicou a Daniel que o Messias apareceria “sete semanas e sessenta e duas semanas” – ou seja, um total de 69 semanas – “desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém” (Daniel 9:25).

Esse decreto, que concedia autonomia plena aos judeus, foi emitido no sétimo ano de Artaxerxes, o rei persa, e tornou-se efetivo no outono do ano 457 a.C. (Esdras 7:8, 12-26; 9:9). Depois da 69ª semana, o Messias seria “morto” (Daniel 9:26), o que representa uma referência à morte vicária de Jesus. Ele deveria morrer no meio da 70ª semana, fazendo “cessar o sacrifício e a oferta de manjares” (Daniel 9:27).

A chave para a compreensão do tempo profético reside no princípio bíblico de que, em profecia, um dia equivale a um ano solar literal (Números 14:34; Ezequiel 4:7). De acordo com o princípio do dia-ano, as 70 semanas (ou 490 dias proféticos) representam, portanto, 490 anos literais. Sendo que esse período deveria iniciar com a “ordem para restaurar e para edificar Jerusalém”, em 457 a.C., os 483 anos (69 semanas proféticas) nos levam ao outono de 27 d.C., ano em que Jesus foi batizado e iniciou Seu ministério público.

Por ocasião de Seu batismo no rio Jordão, Jesus foi ungido pelo Espírito Santo e recebeu de Deus o reconhecimento como o “Messias” (hebraico) ou como “Cristo” (grego), ambos os títulos tendo o mesmo significado: o “Ungido” (Lucas 3:21, 22; Atos 10:38). Na metade da 70ª semana, ou seja, na primavera do ano 31 d.C., exatamente 3,5 anos após Seu batismo, o Messias fez cessar o sistema de sacrif ícios ao oferecer Sua própria vida como sacrif ício pela humanidade. No tempo exato indicado pela profecia, durante o festival da Páscoa, Ele morreu. Essa profecia de caráter cronológico, cumprida com extraordinária precisão, representa uma das mais fortes evidências da verdade histórica fundamental de que Jesus Cristo é o longamente prometido Salvador do mundo.[6]

Você percebe como essas predições relativas ao Messias se cumpriram fiel­mente na pessoa e obra de Jesus Cristo? Bem disse o discípulo André sobre Jesus: “Achamos o Messias” (João 1:41). Sim, Jesus foi o Messias que o povo espe­rava ansiosamente. Mas, quando Ele veio, os líderes O rejeitaram (João 1:10, 11).

Amigo ou amiga descendente de Abraão, Isaque e Jacó, quero dizer-lhe com todo respeito e afeto: não continue esperando a chegada do Messias, porque o Messias já veio. Examine detidamente o assunto, e verá que tudo o que o Antigo Testamento diz sobre Ele se cumpriu na pessoa de Cristo, como narram as pá­ginas do Novo Testamento. Aceite seu compatriota Jesus como o Messias pro­metido e o Salvador do mundo. “Não há salvação em nenhum outro” (Atos 4:12), disse Pedro, outro bom conterrâneo seu.

Superior a todos

Conta a lenda que um homem se encontrava preso na areia movediça. Quan­to mais lutava para sair dela, mais afundava. Então, um líder religioso que passa­va pelo lugar disse filosoficamente: “Isto é prova de que os homens devem evitar lugares como este.” Pouco depois, passou por ali outro religioso. Ao ver o ho­mem em desgraça, limitou-se a dizer: “Que esta seja uma lição para os demais!”, e continuou seu caminho.

Enquanto o homem se afundava cada vez mais na areia, outro religioso dis-se ao passar: “Pobre homem! É a vontade de Deus.” Logo, outro pensador reli­gioso gritou ao desafortunado: “Anime-se! Você voltará à vida em outro estado!” Finalmente, passou por ali Jesus. Ao ver que o homem não tinha saída, inclinou-Se e lhe estendeu a mão, dizendo: “Dê-Me sua mão, irmão, que o tirarei daqui!”

A lenda ilustra o caráter notável de Jesus. Assim foi o poderoso Messias de ontem e assim continua sendo o amável Mestre e Salvador Jesus Cristo. Todas as Suas ações são obras de amor. Não passa por uma pessoa desvalida sem oferecer-lhe ajuda. Não há quem possa igualar-se a Ele. Jesus nos levanta quando estamos caídos, nos indica o que fazer quando nos sentimos extravia­dos e nos dá um coração radiante quando as nuvens eclipsam o sol da alegria.

Jesus foi certamente o enviado de Deus e o Messias tão esperado. Recebê-Lo como tal em nosso coração traz paz, gozo e salvação. Sua vida incomparável é mais ampla que a vastidão dos mares, mais sublime que os altos céus e mais profunda que o insondável oceano. Com razão, ao concluir seu evangelho, o discípulo João disse sobre as obras de Jesus: “Se todas elas fossem relatadas uma por uma, creio eu que nem no mundo inteiro caberiam os livros que seriam escritos” (João 21:25).

Mas isso não é tudo. Há muito mais. A história continua…

Para recordar:

1. Jesus, a esperança dos séculos, nasceu no tempo certo.

“Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebês­semos a adoção de filhos” (Gálatas 4:4, 5).

2. O cumprimento preciso das profecias confirma que Jesus é o Messias pro­metido. Quando Jesus nasceu, um mensageiro celestial anunciou aos pas­tores da região de Belém que o menino era o Salvador.

“O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi,

o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lucas 2:10, 11).

3. Jesus não era apenas um profeta iluminado. Como Filho de Deus, Ele foi ungido com o Espírito Santo para realizar um poderoso trabalho de liber­tação dos sofredores.

“Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com Ele” (Atos 10:38).


[1] Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações (Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2001 [CD-Rom]), p. 32.

 

[2] Justo L. Gonzalez, Uma História Ilustrada do Cristianismo: A Era dos Mártires (São Paulo: Vida Nova, 1980), v. 1, p. 16.

[3] Ibid., p. 30.

[4] Sir Isaac Newton, As Profecias do Apocalipse e o Livro de Daniel (São Paulo: Pensamento, 2008), p. 26, 33. A edição original do livro foi lançada em 1733 com o título Observations upon the Prophecies of Daniel, and the Apocalypse of St. John.

[5] Gleason L. Archer, Encyclopedia of Bible Difficulties (Grand Rapids: Zondervan, 1982), p. 291.

[6] Adaptado de Nisto Cremos, 8ª ed. (Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2008), p. 54, 55.

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