Como ser Temperante?


“E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gênesis 2:16, 17).

No princípio, Deus disse a Adão e Eva que podiam comer de todos os frutos do Jardim do Éden, menos do fruto da árvore da ciência do bem e do mal. Deste teste de fidelidade dependia a felicidade e a perpetuação da vida do casal. Infelizmente, eles decidiram desobedecer à ordem de Deus e com uma mordida, o pecado entrou em nosso planeta.

Neste estudo, veremos a importância de sermos obedientes ao Criador e assim fazermos escolhas positivas a respeito de todas as áreas de nossa vida. Entenderemos que existem outros “frutos proibidos” que podem abalar nossa alegria e roubar nossa qualidade de vida.

O que é temperança?

Podemos definir temperança como “moderação,” “equilíbrio”, “uso moderado das coisas boas” e “abandono das que são ruins”. O objetivo da temperança é promover o bem-estar físico, mental, social e espiritual do indivíduo. Não podemos ser verdadeiramente felizes e saudáveis se não formos equilibrados na alimentação, no trabalho, no exercício físico, no lazer, no prazer sexual, no vestuário e no descanso.

Agora, como adquirimos esse equilíbrio? Bem, depende das boas escolhas que fazemos. Precisamos entender que somos protagonistas da nossa vida e arquitetos do nosso próprio destino. Somos responsáveis pelas decisões e rumos que tomamos na vida. Então, a decisão de termos uma boa saúde está em nossas próprias mãos!

Como funcionam nossas decisões?

Diariamente tomamos decisões, das mais simples às mais complexas. Decidimos desde a roupa que vestimos até a pessoa com quem casaremos. Existem ainda outras decisões que são tomadas de forma inconsciente como, por exemplo, passar a marcha do carro. Em todas essas escolhas, temos a responsabilidade final pelos resultados obtidos.

O lobo frontal é a região do cérebro responsável pelo planejamento de ações, pelo controle emocional, pela autoconsciência (capacidade da própria pessoa perceber seus próprios pensamentos, sentimentos e comportamentos) e pelas nossas decisões racionais, morais e éticas. Ele acaba sendo um local de controle central do cérebro.[1] É o lobo frontal que definirá nosso caráter e vontade.

Isso nos indica que, se quisermos uma vida de temperança, precisamos administrar melhor aquilo que permeia o nosso lobo frontal, ou seja, nossos pensamentos e sentimentos. Eles determinarão, em grande medida, a qualidade de nossas escolhas. Lembremos que os pensamentos produzem sentimentos e estes, por sua vez, influenciarão as nossas ações. Agora, como podemos administrar os nossos pensamentos? Abaixo estão algumas dicas:

  1. Identificar quais pensamentos nos vêm à mente em determinada situação;
  2. Avaliar os sentimentos que eles promovem;
  3. Observar a reação que estes sentimentos nos levam a ter;
  4. Analisar os pensamentos negativos e distorcidos, pensando em proporcionar mudanças para que eles se tornem mais saudáveis, mais funcionais e mais reais;
  5. Exercitar mudar o tipo de pensamento que provoca sentimentos ruins e que nos leva agir de forma prejudicial conosco e com outras pessoas.

Pensamentos corretos e puros com santos propósitos não nos vêm naturalmente. Temos que lutar por eles.[2] Pode ser que não possamos controlar a chegada de um pensamento prejudicial à mente, mas, certamente, temos a escolha de não alimentá-lo, substituindo este pensamento por outro que seja saudável. Cabe a cada pessoa ter consciência dos pensamentos que são a base de seu comportamento a fim de questioná-los e, se necessário, modificá-los.

A maior luta que o ser humano pode travar é contra ele mesmo. É a luta contra a própria vontade e desejos ruins. Essa luta ocorre na mente – é a luta pelo domínio próprio. Podemos, por exemplo, saber que comer uma fruta é mais saudável do que tomar um sorvete, mas podemos ter vontade de tomar o sorvete e não de comer a fruta. Aí reside o grande desafio da vida: reeducar a vontade ou seguir os próprios desejos e vontades do coração. Precisamos pensar e agir de acordo com o que é correto (Filipenses 4:8). Conheça, a seguir, algumas das dificuldades enfrentadas em nossa sociedade no que diz respeito à falta de temperança.


 

Viciado em sexo, eu?

Ao contrário do que muitos pensam, o vício sexual não diz respeito à quantidade de relações sexuais que uma pessoa tem por semana. O que caracteriza a compulsão sexual é a grande dificuldade que a pessoa apresenta em se concentrar em outra coisa que não seja a realização de suas fantasias sexuais, sentindo um desejo incontrolável de obter prazer sexual e buscando maneiras de satisfazê-lo, trazendo prejuízos para suas relações sociais, afetivas, para a produtividade do seu trabalho e para sua autoestima.[3]

O vício sexual atinge mais de 9 milhões de pessoas no Brasil, e pode ser praticado de várias maneiras: através da busca por pornografia (internet, filmes, programas de televisão, revistas); do excesso de relações sexuais com uma mesma pessoa ou com outras diferentes; da prostituição; da pedofilia; do sexo virtual; do sexo por telefone; da masturbação; do exibicionismo (ter prazer em se masturbar ou praticar relações sexuais na frente de outras pessoas); do voyeurismo (ter prazer em ver outras pessoas tendo relações sexuais) e outros.

Por mais que a pessoa compulsiva por sexo obtenha prazer em suas práticas sexuais, é bastante comum sentir um vazio assim que o orgasmo termina. Os sentimentos negativos surgem porque estas práticas sexuais descontroladas não se caracterizam por um estreitamento da relação afetiva com o parceiro, mas apenas por uma forma de diminuir a ansiedade que provoca a compulsão, descarregar algum sentimento de raiva, frustração ou mágoa, ou a fim de buscar aprovação do parceiro. Por isso, o uso inadequado do sexo traz sofrimentos emocionais para aquele que possui este vício.[4]

Vale a pena lembrar que uma pessoa viciada em sexo pode viver negando que possui o problema e pode continuar com estes comportamentos sem buscar ajuda, prejudicando seus relacionamentos e a si mesmo. No entanto, há outras pessoas com este vício que deixam de negar o problema e buscam ajuda. Dessa forma aprendem a lidar com as frustrações e vazios e, como consequência, desenvolvem relacionamentos mais saudáveis com maior qualidade de vida social, emocional e profissional.

Comprar! Comprar! Comprar!

Você conhece alguém viciado em compras? A compulsão por compras é um transtorno classificado entre os transtornos de controle de impulso e, apesar do prazer obtido em inúmeras compras, o sentimento de angústia e de culpa faz com que a pessoa sofra muito e se afunde ainda mais na compulsão, que se torna um vício.

O comprador compulsivo não tem controle financeiro e perde a noção de quanto está gastando. Ele vai aumentando progressivamente o volume de compras e se endividando cada vez mais. Ele adquire, algumas vezes, coisas supérfluas, mas sente compulsão por comprar cada vez mais. Então, começa a mentir sobre os gastos para que a família não brigue com ele. Pode tentar mudar várias vezes ou dizer que vai mudar, mas geralmente recai no descontrole e acaba se endividando cada vez mais.

Nem sempre a pessoa compulsiva por compras admite que tem o problema. Ela não é incapaz de compreender o que está se passando, mas mesmo assim resiste porque ao reconhecer que tem o problema, precisará lidar com a angústia que tenta mascarar através das compras, que é o real motivo da sua compulsão.

Existe solução?

  1. Procurar tratamento psicológico para buscar as raízes do problema;
  2. Não tentar preencher a sensação de vazio interior com compras;
  3. Prestar sempre atenção nos atos de excesso e tentar analisar o motivo da aquisição;
  4. Saber distinguir o supérfluo do que é realmente necessário;
  5. Evitar o uso de cartões de crédito e procurar pagar todas as compras à vista, de preferência, com dinheiro;
  6. Sair de casa com apenas o dinheiro mínimo necessário;
  7. Fazer mentalmente o caminho que irá percorrer até o local que deseja ir. Assim, poderá se desviar de lojas e vitrines conhecidas;
  8. Tomar cuidado redobrado em dias em que esteja se sentindo muito triste ou muito alegre, porque pode ser que tente compensar a tristeza ou “comemorar” a alegria com compras;
  9. Se tiver algum excedente em dinheiro, evitar investimentos por impulso. É importante avaliar a melhor forma de investimento porque pode acontecer de necessitar do dinheiro antes do tempo contratado, o que implicará em perda de dinheiro.

Cafeína: faz bem ou faz mal?

A cafeína é uma droga estimulante que é encontrada no café, em alguns chás (como o chá preto, chá verde, chá-mate), no guaraná, em bebidas energéticas, e em refrigerantes à base de cola. Assim como outras drogas, pode alterar o funcionamento do sistema nervoso central e especialmente do lobo frontal.

Em um primeiro momento, ela provoca um estado de excitação, o que leva muitas pessoas a utilizarem bebidas cafeinadas quando precisam permanecer em alerta. No entanto, o efeito subsequente à excitação é uma depressão das atividades do sistema nervoso, causando sensação de cansaço, dores de cabeça, irritabilidade e ansiedade. Tais sintomas levam a pessoa a sentir a necessidade de ingerir novamente a bebida com cafeína a fim de se sentir novamente estimulada e em estado de alerta. Assim o corpo desenvolve uma dependência física da cafeína.

Muitos pensam que a cafeína está longe de ser uma droga viciante. No entanto, segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV), quando uma pessoa ingere 250 ml ou mais de cafeína por dia (acima de duas ou três xícaras de café coado), a pessoa desenvolve um quadro de intoxicação que abrange uma série de sintomas físicos e emocionais como: agitação, nervosismo, insônia, problemas digestivos, tensão muscular, taquicardia, agitação psicomotora e dificuldade para pensar e falar.[5]

Assim como o café e bebidas que contém cafeína, o consumo de energéticos também deve ser abandonado. Para se ter ideia da quantidade de cafeína presente em bebidas energéticas, 200 ml de café coado (1 copo cheio) tem aproximadamente 80 a 100 mg de cafeína, o mesmo que 240 ml de Red Bull (bebida energética). A Cocaine (nova bebida energética) contém 280 mg de cafeína em 240 ml da bebida. O uso de apenas duas latas de energético é suficiente para provocar ansiedade, agitação, insônia, tremores, náuseas, diarreia, fortes dores de cabeça e palpitações cardíacas.[6] Então, se você quiser preservar a sua saúde física e emocional, elimine do seu regime alimentar as bebidas que contenham cafeína.

VOCÊ E O CRIADOR

Vimos nesse estudo a importância de fazermos boas escolhas e cultivarmos bons hábitos em nossa vida. Mas sabe qual é a decisão mais importante que podemos tomar? A decisão de entregarmos o coração completamente a Jesus a fim de que Ele nos mostre aquilo que devemos comer, beber, vestir, pensar e fazer. Esse é o sonho de Deus para você. A Bíblia diz: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Coríntios 10:31). Seus hábitos e seu estilo de vida têm sido para a glória de Deus? Ou você está preso numa cadeia de vícios? Deus quer e pode livrar você das suas prisões. Submeta a sua vontade ao Senhor e você terá saúde e felicidade.

 

 

[1] Fonte: livro “Depression, theway out”, Dr. Neil Nedley, p. 177.

[2]Fonte: Mente, Caráter e Personalidade II, p. 656, E. G. White.

[3]Fonte: http://vidaeestilo.terra.com.br/homem/vida-a-dois/vicio-em-sexo-conheca-os-sintomas-e-confira-os-tratamentos,5f088f96e4237310VgnCLD100000bbcceb0aRCRD.html

[4]Fonte: http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2012/02/eu-sou-viciado-em-sexo.html

[5]Fonte: MELGOSA, J. Mente Positiva. 1.ed. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí: 2010, p. 99.

[6]Fonte: http://vip.abril.com.br/edicoes/285/energeticos-afinal-qual-dose-boa-550771/

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