Respire!


“Deus, nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais” (Atos 17:25).

O homem foi criado por Deus de um modo maravilhoso. Ele se preocupou com a sua felicidade, prazer e com cada detalhe necessário para a manutenção de sua vida. No texto acima Paulo afirma que o Criador amorosamente nos deu “vida, respiração e tudo mais” para que possamos existir com alegria e satisfação. Para a manutenção da respiração ou do fôlego de vida necessitamos também do ar atmosférico e, por incrível que pareça, o ar que respiramos e o modo como o fazemos têm grande impacto sobre a nossa saúde. Então, respire fundo e continue lendo!

Questão de sobrevivência!

Podemos sobreviver por algumas semanas sem comida, poucos dias sem água, mas somente alguns minutos sem ar. Sem ele, as células morrem e consequentemente o corpo também. Esse recurso maravilhoso é composto por diversos gases: nitrogênio, oxigênio, gás carbônico e o restante de hidrogênio e gases nobres. Quando respiramos, o ar é distribuído para todo o organismo através da circulação sanguínea com a ajuda dos glóbulos vermelhos e participa de todas as reações que envolvem a glicose, principal fonte de energia do nosso corpo. Sem ele, nosso corpo não funcionaria porque não teria energia para suas diversas atividades.

O ar puro tem relação direta com a nossa saúde física e mental. Ele revigora, alimenta e desintoxica todas as células e órgãos do corpo humano. Os benefícios do ar são muitos: refresca e fortalece o corpo, melhora nossa capacidade de concentração, raciocínio e memória, melhora o sono, diminui a ansiedade, o cansaço e o estresse, estimula o apetite, auxilia a digestão, dá suporte ao sistema imunológico e promove uma circulação sanguínea mais saudável[1]. Está comprovado que o ar puro proporciona a eliminação de aproximadamente 1/3 das toxinas do nosso corpo. Por isso, a qualidade do ar que respiramos e uma respiração adequada são relevantes para o bom funcionamento do corpo. Respirar ar puro melhora a saúde!


 

Você sabe respirar?

Felizmente, todos nós nascemos sabendo respirar. No entanto, podemos desenvolver maus hábitos respiratórios que impedem o pulmão de funcionar de maneira efetiva. Geralmente em nosso dia a dia, nossa respiração tende a ser curta e rápida, como se estivéssemos em constante correria. Desta forma, os pulmões não se expandem de maneira adequada e o corpo não recebe o oxigênio de forma eficiente. Como seria, então, a maneira apropriada de respirar[2]? Abaixo estão algumas dicas importantes:

  1. Concentre-se menos na inspiração e mais na expiração. Quanto mais uma pessoa expira (solta o ar), mais ar ela poderá inspirar, recebendo maior quantidade de ar novo;
  2. Inspire pelo nariz lentamente por aproximadamente 4 segundos. Depois de uma pequena pausa, expire lentamente contando até 12;
  3. Ao inspirar, procure “encher” a barriga (diafragma), em vez de levantar o peito e os ombros, e na expiração, “esvazie” a barriga novamente. Esta é a maneira correta de levar o ar para os pulmões, expandindo todo o diafragma. Se você reparar, os bebês respiram desta forma.

Com estes simples exercícios, a função pulmonar melhorará e o corpo todo sentirá os benefícios da troca mais eficiente de oxigênio.

Onde encontrar ar puro?

A essa altura, você pode pensar: “Como respirarei ar puro se vivo numa cidade poluída, cheia de carros, fábricas e queima de lixo?” Realmente, esse é um desafio para a maioria das pessoas hoje. A fumaça liberada por esses meios contêm gases tóxicos para o nosso organismo e trazem grandes prejuízos para a saúde. Observe os dados a seguir:

Uma pesquisa feita pelo Departamento de Medicina Preventiva da Universidade de São Paulo verificou que o nível de poluição em grandes cidades é suficiente para agravar a saúde da população. De acordo com os pesquisadores, a população dessas cidades apresenta frequentemente doenças respiratórias, principalmente crianças e idosos. Segundo o DataSus, banco de dados eletrônico do Ministério da Saúde, em 2012 mais de 1.184.000 pessoas foram internadas por problemas respiratórios e doenças do trato respiratório superior no Brasil.[3] Outra constatação alarmante: de acordo com o INCA (Instituto Nacional do Câncer) pessoas que vivem em metrópoles muito poluídas apresentam 12% mais chance de desenvolver câncer.[4]

Além desses problemas, muitas pessoas passam várias horas do dia em ambientes fechados onde o ar não circula de forma devida como salas, escritórios, metrôs e ônibus. Que atitude podemos tomar diante desse preocupante quadro? Uma dica interessante seria separarmos um tempo diariamente para estarmos em lugares perto da natureza, em ambientes abertos e ventilados. As plantas liberam o oxigênio para a atmosfera e, portanto, a proximidade com a natureza nos proporciona um ar de melhor qualidade. Para pessoas que vivem em médias e grandes cidades, fazer caminhadas, outros exercícios e passeios em um parque arborizado longe de estradas empoeiradas, pode ser uma maneira de conseguir um ar mais puro. Fazer exercícios em locais abertos e próximos da natureza demonstra ser mais benéfico do que o realizar em ambientes fechados e com má circulação de ar, como algumas academias de ginástica[5].

E o ar dentro de casa?

Uma pesquisa sobre a qualidade do ar divulgada pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) relevou que o ar de dentro de casa pode estar de duas a cinco vezes mais contaminado do que o ar em ambientes externos. Isso ocorre porque as portas e janelas são mantidas fechadas a maior parte do tempo, o que dificulta a troca de oxigênio no ambiente interno. Além disso, o uso de tapetes, cortinas, quadros e outros objetos de decoração também funcionam como depósitos de poeira e influenciam na qualidade do ar dentro de casa[6]. Alguns cuidados importantes para melhorar a qualidade do ar dentro de casa são[7]:

  1. Em algum momento do dia ou da noite, permita que o ar circule através das janelas e portas abertas, conforme a possibilidade de cada casa;
  2. Tenha plantas dentro de casa. Elas transformam o gás carbônico em oxigênio, regulam a umidade do ar, e absorvem alguns poluentes do ar através de suas folhas e raízes;
  3. Evite produtos químicos em excesso porque a liberação de poluentes advindos dos compostos orgânicos voláteis (contidos nos produtos) pode causar irritação das vias respiratórias, fadiga e falta de ar;
  4. Para retirar a poeira, opte por aspirador de pó e panos úmidos, em vez de produtos químicos fortes. O pano úmido ajuda na retenção da poeira;
  5. Limpe o filtro do ar condicionado, aquecedor e ventilador com frequência, pois são depositários de poeira que serão liberados com o funcionamento do aparelho. Cuidados especiais devem ser tomados por quem usa especialmente o ar condicionado: abra de vez em quando as janelas e tome muita água para hidratar o corpo, pois ele suga o ar do ambiente e retira a sua umidade. Se necessário, utilize soro fisiológico para hidratar as mucosas nasais.

Entenda as alergias respiratórias

Um artigo publicado no site da Associação Brasileira de Asmáticos afirmou que a combinação de poluentes do ar aumenta a reatividade das vias respiratórias, o que torna pessoas predispostas à alergia mais sensíveis e propensas a desenvolver doenças como rinite e asma.[8]

As alergias respiratórias são uma maneira de o corpo se defender contra agressões externas causadas por produtos químicos, bactérias e vírus contidos no ar: o nariz entope para impedir que elementos nocivos entrem no organismo, é produzida a coriza com a finalidade de lavar e expelir substâncias estranhas como bactérias e vírus, e o espirro é um mecanismo utilizado pelo corpo para remover tais substâncias automaticamente. Se a agressão é forte, surge a tosse também como tentativa de defesa, e o fechamento da garganta pode acontecer a fim de impedir a penetração dos germes e substâncias poluentes.[9]

O ar puro previne as alergias respiratórias e as inflamações das vias respiratórias já que possui baixa concentração de poluentes e de substâncias tóxicas. No entanto, por serem doenças multifatoriais, é importante que outros aspectos sejam avaliados para a indicação do tratamento devido.

Cigarro: apague-o!

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabagismo é considerado a principal causa de morte evitável do mundo. Ela estima que um terço da população mundial adulta fume, ou seja, aproximadamente 1 bilhão e 200 milhões de pessoas, dentre as quais 200 milhões são mulheres.

O total de mortes devido ao uso do tabaco atinge aproximadamente 4,9 milhões de mortes anuais – o que corresponde a 10 mil mortes por dia – e caso as tendências de expansão do fumo sejam mantidas, serão cerca de 10 milhões de mortes anuais por este motivo por volta do ano 2030.[10]

A fumaça do cigarro contém mais de 4.700 substâncias tóxicas, substâncias cancerígenas, corantes e agrotóxicos em altas concentrações. Dentre elas estão: a nicotina (causa dependência física), amônia (substância existente em produtos de limpeza), arsênio (metal pesado, potencialmente cancerígeno, usado em inseticidas), monóxido de carbono (gás tóxico que está na fumaça dos automóveis) e até naftalinas (encontrado dentro das pastilhas para matar baratas).

O fumo está associado a 90% dos casos de câncer de pulmão. No ano de 2012, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a estimativa era que 37% dos casos de câncer no Brasil estivessem relacionados ao tabagismo.[11]

Algumas pessoas acreditam que o fato de fumarem com moderação seja uma garantia de que não desenvolverão o câncer. No entanto, as estatísticas mostram que o risco de morte por câncer de pulmão aumenta em quatro vezes àquelas pessoas que fumam de uma a nove unidades por dia, em relação ao não-fumante. Além disso, quanto mais cedo uma pessoa começa a fumar, maior prejuízo causará à sua saúde, porque a ação danosa do cigarro é prolongada e cumulativa.[12]

E o fumante passivo, está livre dos efeitos nocivos da fumaça? A resposta é não. Em médio e longo prazo o fumante passivo pode sofrer a redução de sua capacidade respiratória, um risco 30% maior de câncer de pulmão e 24% maior de infarto, comparados aos não fumantes que não se expõem à fumaça frequente. [13]

VOCÊ E O CRIADOR

Você percebeu que recurso maravilhoso é o ar puro? Sem ele, não existiríamos. Graças a Deus, nascemos sabendo respirar – inspiramos e expiramos de forma automática. Mas você sabia que existe Alguém que controla e mantém a nossa respiração, concedendo-nos vida? A Bíblia diz: “Assim diz Deus, o Senhor, que criou os céus e os estendeu, formou a terra e a tudo quanto produz; que dá fôlego de vida ao povo que nela está e o espírito aos que andam nela (Isaías 42:5). Percebeu? É Deus quem nos deu o fôlego de vida e mantém a nossa respiração! Então, toda vez que você respirar, reconheça que existe Alguém que incansavelmente cuida de você.

 

 

 

[1] Fonte: livro “God’sHealing Way”, Mary Ann McNeilus, M.D., FourthPrinting, 1998.

[2] Idem.

[3] Fonte: http://saude.ig.com.br/minhasaude/poluicao+eleva+risco+de+infarto+apendicite+e+ate+infertilidade/n1237971409800.html

[4] Fonte: http://www.inca.gov.br/atualidades/ano11_1/pulmao.html

[5] Fonte: http://www.saudeintegral.com/artigos/respirar-e-viver.html

[6] Fonte: http://style.greenvana.com/2011/ar-dentro-de-casa-pode-ser-mais-poluido-do-que-na-rua/

[7] Fontes: livro “God’sHealing Way”, Mary Ann McNeilus, M.D., FourthPrinting, 1998; http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI62307-17334,00.html, http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/saude/conteudo_400723.shtml e http://www.saudeintegral.com/artigos/respirar-e-viver.html

[8] Fonte: Galvão, C E. Alergias respiratórias e poluição ambiental. In: Associação Brasileira de Asmáticos. Disponível em: www.sbasp.org.br/jornaldet.asp?id=32. Acesso em: 10 jun. 2011.

[9] Fonte: http://drauziovarella.com.br/wiki-saude/doencas-da-poluicao/

[10] Fonte: http://www.inca.gov.br/tabagismo/frameset.asp?item=dadosnum&link=mundo.htm

[11] Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/em-2012-37-dos-casos-de-cancer-estarao-relacionados-ao-tabagismo

[12] Fonte: http://www.drashirleydecampos.com.br/noticias/14972

[13] Fonte: http://www.inca.gov.br/tabagismo/frameset.asp?item=passivo&link=tabagismo.htm

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