Os benefícios intelectuais do estudo da Bíblia

Como afirma James Braga, “um dos maiores privilégios que Deus concedeu a Seus filhos é a oportunidade de estudar a Sua Palavra”,[1] justamente porque nela encontramos as orientações que Ele nos oferece para um viver seguro, correto e de acordo com a Sua vontade. Acima de tudo, a Bíblia é o mapa que nos mostra o caminho que conduz à vida eterna.

Todavia, o benefício do estudo da Bíblia não se limita ao âmbito religioso ou espiritual. A autora norte-americana Ellen White afirma, categoricamente, que “como meio para o preparo intelectual, a Bíblia é mais eficiente do que qualquer outro livro, ou todos os livros reunidos”.[2] Esta afirmação é surpreendente! É possível que algumas pessoas digam: “Não tenho dúvida da importância da Bíblia para a minha vida espiritual. Mas, como ela pode me ajudar na minha cognição, na minha inteligência?”.

De acordo com Ellen White, a contribuição intelectual da Bíblia se fundamenta em três características da Escritura:

– A grandeza de seus temas

– A nobre simplicidade de suas declarações

– A beleza de suas imagens.[3]

Quando analisamos esta declaração, percebemos a riqueza oculta numa declaração tão despretensiosa. Vamos pensar em cada um desses itens.

Quanto à grandeza dos temas da Bíblia, podemos afirmar que se exige esforço intelectual complexo na sistematização de seus assuntos: conhecimento (informação), compreensão (entendimento), aplicação (prática), análise (diferenciação das partes), síntese (esquematização), avaliação (juízo de valor). Como exemplo, podemos citar o esforço necessário para a compreensão de temas amplos, grandiosos, como a luta entre o bem e o mal; neste caso, não basta apenas dominar a informação do que significa a luta entre o bem e o mal, pois sua compreensão exige síntese e inclusive avaliação.

Além disso, nossa mente se expande diante da variedade dos temas bíblicos (polifonia), enquanto que livros “acadêmicos” abordam apenas um tópico (monofonia).[4] Mais ainda: em livros comuns, as ideias são encontradas entre o texto; na Bíblia, somos levados a um contexto mais amplo, diferente do nosso, e esse exercício, por ser complexo e desafiador, torna-se um estimulador da inteligência.

Também é importante observar que, enquanto que em um livro comum o leitor tem um ambiente ou contexto, a Bíblia nos coloca diante de 66 contextos diferentes, o que requer relacionamento entre as partes e contextos para sua compreensão, exigindo olhar restrito e olhar globalizado.

O professor Sikberto Marks nos lembra que a leitura da Bíblia permite a prática de diversas estratégias que desenvolvem o intelecto:

– Meditação (atenção intensa do espírito sobre um assunto),

– Reflexão (exame de consciência, que desenvolve o senso crítico e subjuga a ingenuidade),

– Observação (exame atento e minucioso),

– Comparação (confronto de ideias),

– Cultivo e aperfeiçoamento de princípios (princípios são a essência do governo da mente).[5]

No que diz respeito à simplicidade das declarações bíblicas, podemos afirmar que – por incrível que pareça – a simplicidade exige um “raciocínio duplo”: primeiro para compreender o difícil, e depois para “traduzir” isso numa linguagem compreensível, comum. Isso significa que falar difícil é fácil; o difícil é falar fácil. O importante disso é que declarações simples harmonizam com a vida diária, de modo que a leitura da Bíblia nos torna capazes de uma melhor compreensão da vida “complexa” e da vida “comum”.

Imagine a simplicidade, e ao mesmo tempo a profundidade escondida em versos como “o Senhor é o meu Pastor, nada me faltará”. Ou “o reino dos céus é semelhante ao fermento”. Ou, ainda, “posso todas as coisas naquEle que me fortalece”.

Ao mesmo tempo em que essas afirmações sugerem coisas facilmente compreensíveis, como o cuidado de Deus por nós ou a maneira como Deus trabalha em nossa vida, é também verdade que elas nos colocam diante de temas profundos: por que às vezes, aparentemente, Deus cuida de uns e não de outros? Por que Deus alcança rapidamente o coração de uns, enquanto que outros demoram tanto a se entregarem a Ele?

Finalmente, outra característica da Escritura que contribui para o desenvolvimento de nosso intelecto é a beleza da suas imagens. Não há dúvidas de que as diversas metáforas e parábolas da Bíblia de certo modo nos levam ao mundo do “faz de conta”, do imaginário, possibilitando criatividade, liberdade e maior aplicabilidade. Por outro lado, os temas profundos e espirituais ficam mais compreensíveis e concretos pelas imagens que a Bíblia apresenta, assim como ajudam a fixar o conhecimento.

Graças a Deus por Sua Palavra, a qual nos alcança em todas as esferas de nossa existência, inclusive a intelectual. Qual a nossa resposta? A melhor, sem dúvida, é fazer da Escritura nosso livro de referencia, lendo-a e meditando nela diariamente. E, o melhor: Seguindo suas orientações.

[1] James Braga. Como Estudar a Bíblia. Deerfield, Florida: Vida, 1989, p. 7.

[2] Ellen G. White. Educação, 9ª Ed. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2003, p. 124.

[3] Idem.

[4] Sikberto Marks, Ruptura da Mente: Excelência Profissional Através da Leitura e Estudo de Pérolas – A Estratégia Revolucionária do Alto Desempenho Pessoal no Terceiro Milênio. Ijuí – RS: [s. n.], 1998, p. 272.

[5] Sikberto Marks, Ruptura da Mente, p. 281-285.

 

Adolfo Suárez/adventistas.org

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