Sua fé é uma moeda para negociar com Deus?

O evangelho da prosperidade precisa ser avaliado de forma bem clara e honesta à luz da Palavra de Deus. Precisamos saber o que realmente Deus tem reservado para nós no que diz respeito à salvação e à vida material terrena. O chamado evangelho da prosperidade atrai as multidões para um ciclo de ambição e culpa. Quando as bênçãos demoram a chegar, as pessoas se culpam por não terem fé suficiente ou porque suas ofertas não são generosas o bastante. Essa culpa e a ganância em seus corações as mantêm presas a cultos que teatralizam os dons carismáticos a fim de explorar a boa-fé.

Com base na Bíblia, podemos afirmar que a vida espiritual produz necessariamente riqueza e bem-estar material? Será que a riqueza é sempre um sinal da bênção de Deus? O que dizer da riqueza alcançada por meio de opressão, dolo ou mesmo corrupção? Além disso, seria a pobreza ou doença sempre um sinal de maldição de Deus, ou ainda de falta de fé? Devemos reconhecer que o evangelho da prosperidade tem sido um dos fenômenos religiosos mais atrativos dos últimos tempos. À luz da verdade bíblica, porém, o evangelho da prosperidade é uma meiaverdade, talvez menos. É uma propaganda de bênçãos incertas, porque, embora prometa, não pode guiar a mão de Deus.

Quando Jesus disse que faria qualquer coisa se pedíssemos em Seu nome, a que “tudo” Ele se referia? À totalidade das coisas materiais? Ele entregou em nossas mãos a força da onipotência? Se eu pedir para ser transportado imediatamente para o Japão, Jesus atenderá a esse pedido? Claro que não! Esse “tudo” se refere à construção do caráter, à pregação do evangelho, ao auxílio aos necessitados.

Os textos bíblicos usados pelos pregadores da prosperidade são retirados do contexto do evangelho e usados como uma roupagem santa para interesses econômicos terrenos. A devolução dos dízimos e as ofertas têm bases bíblicas sólidas e são milenares. Abraão já devolvia o dízimo de tudo que possuía (Gênesis 14:20). Entretanto, isso é feito como expressão de fidelidade e gratidão. O cristão não entrega seu dízimo a Deus diretamente, pois Ele não usa cédulas no Céu. Ele o entrega à igreja, por entender ser seu dever diante de Deus prover sustento à casa do Senhor.

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Quando as bênçãos demoram a chegar, as pessoas se culpam por não terem fé suficiente ou porque suas ofertas não são generosas o bastante.

Quando Deus diz que vai nos abençoar, devemos entender que Ele está interessado em nos salvar definitivamente do pecado e da maldade do mundo; não necessariamente em nos dar agrados materiais que proporcionem momentos de alegria passageira. O sucesso dos cultos da prosperidade não é uma simples oferta de bênçãos por dinheiro. Há algo mais profundo em tudo isso; algo espiritual. A teologia dos pregadores da prosperidade está cheia de misticismo e sabedoria exotérica. Como bem definiu John Piper, esse é o movimento new age das Escrituras, no qual Deus é uma combinação de gênio da lâmpada com um psiquiatra todo-poderoso que pode ser facilmente manipulado por meio de ofertas e palavras mágicas. Essas ideias, porém, pervertem o evangelho.

Não é possível que Jesus tenha morrido na cruz, sido chicoteado e perfurado e recebido uma coroa de espinhos para nos dar o direito de andar em um carro zero quilômetro. Ele não pode ter feito o que fez para nos dar condições de comprar uma casa de 1 milhão de reais e viajar em cruzeiros para o Caribe. Não! Ele de fato morreu para nos salvar da condenação do pecado e da morte eterna.

Jesus afirmou categoricamente que não compensa “ganhar o mundo inteiro” e “perder” a salvação eterna (Mateus 16:26). O que precisamos de fato como cristãos é da verdadeira esperança. O Senhor afirma: “Quem perder a vida por Minha causa, esse a salvará” (Lucas 9:24). Ele também garante: “No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo, Eu venci o mundo” (João 16:33). Precisamos buscar a esperança certa, no lugar certo e da maneira correta. Não podemos nos enganar, buscando os atalhos floridos. As flores do atalho são belas, mas escondem o perigo.

Nos cultos de prosperidade, são contadas histórias de homens e mulheres que eram pobres e agora se consideram empresários. Não há pessoas confirmando que tiveram o caráter moldado tal qual Jesus, ou de gente doando seu tempo e seus talentos para beneficiar outras pessoas que não têm nada a retribuir.

É claro que Deus se importa com sua vida, com seus negócios. É evidente que Ele deseja o melhor para Seus filhos. Ele é nosso Pai! Ele nos ama tanto que se revestiu da humanidade para nos dar a verdadeira esperança. Ele declara: “Assim acontece com vocês: agora é hora de tristeza para vocês, mas Eu os verei outra vez, e vocês se alegrarão, e ninguém lhes tirará essa alegria” (João 16:22, NVI). O bom Pastor conhece a necessidade de Suas ovelhas e está atento a cada detalhe da vida delas. Nada do que aconteça a você é sem importância para Deus. Cada detalhe é visto com a máxima atenção, mas Ele é um Deus soberano; por isso, sabe a hora certa de cada coisa. Nosso papel é confiar e entregar a Ele a direção de tudo na vida.

Esse texto é um fragmento do livro Esperança Viva: Uma escolha inteligente. Acesse:livro.esperanca.com.br para continuar lendo.

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