Lidando com o luto

“Porque o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23).

“Porque o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23).

Inevitavelmente, a morte faz parte da nossa vida, não é mesmo? Todos nós, pelo fato de sermos pecadores, passaremos pela triste experiência de sepultarmos nossos queridos. A realidade da morte chegará para todos nós, querendo ou não. Será que é possível nos prepararmos para esses momentos de separação? Como agir diante de uma tragédia causada pela morte?

A morte de alguém próximo é uma das dores emocionais mais fortes que uma pessoa pode sentir. Quando perdemos alguém muito importante para nós, nossa resposta é o sofrimento. Toda perda dói. Não é fácil nos desfazermos de uma realidade que não volta mais. O sofrimento nestas ocasiões é, então, algo natural e até mesmo saudável, porque é a forma de expressarmos aquilo que estamos sentindo.

O luto é a resposta natural de sofrimento diante de uma grande perda. O tempo do luto varia de pessoa para pessoa, mas dura, em média, de 3 meses até 1 ano. Esta variação depende das circunstâncias da perda, da capacidade individual de cada pessoa para a superação do luto, e do apoio familiar e de amigos que a pessoa enlutada pode ou não receber durante o tempo de recuperação emocional.

Na sequencia do texto, vamos aprender um pouco mais sobre como podemos nos recuperar diante da perda de alguém e como lidar com a dor sentida.

O que é normal no luto?

No processo de luto, cada pessoa tem uma reação ou uma atitude peculiar. Estas fases não obedecem necessariamente uma ordem, mas geralmente são vividas por todas as pessoas enlutadas, por exemplo:

  1. Fase de choque – momento que acompanha a notícia da morte. É um momento de profunda dor expresso através de um choro desesperado, reações físicas de mal-estar e outras maneiras.
  2. Fase de raiva – quando acontecem momentos de revolta, de indignação, de grande ansiedade por causa da perda. Nesta fase, a pessoa pode questionar Deus por ter permitido isto e ter pensamentos constantes de raiva com relação à morte da pessoa querida.
  3. Fase da barganha – quando a pessoa enlutada tenta fazer negociações consigo mesma, com Deus ou com outras pessoas diante da dor da perda, como: “Se ele (a) voltar, eu vou mudar”, “Há outros médicos que podem salvá-lo (a)”, “Há outro hospital que pode ressuscitá-lo (a)”.
  4. Fase da depressão – quando a pessoa realmente percebe que não terá seu querido de volta e que terá que lidar com a perda, geralmente há um sentimento muito grande de angústia e tristeza. Algumas pessoas podem se isolar, preferir ficar em silêncio e realmente experimentar a dor, expressando todo o seu sofrimento através do choro.
  5. Fase de aceitação – quando a pessoa realmente aceita que a perda aconteceu, e começa, aos poucos, a caminhar com a própria vida, se permitindo novamente ter bons momentos. Isto não significa esquecer a pessoa querida, mas sim que a dor agora pode ser administrada até que permaneça uma lembrança carinhosa, mas sem o peso da dor.

O processo do luto e da tristeza pela morte de alguém é um processo que “cuida de si mesmo”, ou seja, com o tempo a tristeza vai passando e abrindo caminho para a recuperação emocional. Isso não significa que esse processo seja fácil de ser vivido, pelo contrário, é bastante difícil! Mas não será para sempre.

Quando o luto não passa…

O luto em si não é uma doença. No entanto, quando o luto não é devidamente elaborado ou experimentado, ele pode gerar doenças tanto físicas quanto emocionais.

De acordo com Katherine Shear, professora de psiquiatria da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, cerca de 15% das pessoas enlutadas desenvolvem um luto prolongado, afetando muito a qualidade de vida da pessoa por ter extrema dificuldade em “funcionar” em meio às tarefas e necessidades do dia. O principal sintoma é uma saudade tão intensa da pessoa que faleceu que a pessoa enlutada não consegue se concentrar em outros sonhos de vida, desejos e atividades. Segundo a pesquisadora, muitas pessoas que entram neste tipo de luto desenvolvem alcoolismo e câncer, e as tentativas de suicídio aumentam.[1]

Por isso, se uma pessoa que está vivendo um luto não observa melhora no sofrimento ao longo dos meses que se passam, e se não consegue ir retomando suas atividades cotidianas com o tempo, mas, ao contrário, se sente cada vez mais angustiada e incapacitada pela dor emocional por causa da morte de alguém querido, então é necessário que esta pessoa busque um profissional psicólogo para ajudá-la a lidar com este sofrimento de forma saudável e atravessar o luto.[2]

Outra dica importante é que existem grupos de apoio comunitários e gratuitos que estão disponíveis para aqueles que experimentam o luto prolongado. Esses grupos costumam ser eficazes para a recuperação emocional da pessoa enlutada por causa do amparo e da empatia de outras pessoas que estão passando pelo mesmo tipo de sofrimento.[3]

Como enfrentar uma grande perda?

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O luto é a resposta natural de sofrimento diante de uma grande perda

Cada pessoa vivencia a dor da perda de uma maneira e com uma intensidade. No entanto, há algumas atitudes que podem ser tomadas pela pessoa enlutada para ajudá-la a enfrentar este sofrimento:

  1. Fale sobre a sua dor. Muitas pessoas acreditam que o assunto da morte deve ser evitado. No entanto, quanto menos se fala sobre o assunto, mais a dor é acumulada.
  2. Não fique sozinho. Por mais que não sinta vontade de falar sobre o assunto ou de compartilhar o seu sofrimento com alguém, procure não ficar muito tempo sem ninguém ao seu redor.
  3. Aceite a sua dor. Aceitar não significa concordar com o que aconteceu e nem gostar do que está sentindo, mas é não negar que o fato aconteceu e que está, sim, doendo.
  4. Questione o seu sentimento de culpa. É muito comum amigos e familiares enlutados se sentirem culpados após a morte de alguém, seja por pensarem não ter cuidado bem da pessoa, ou não terem resolvido algum conflito relacional. No entanto, é importante distinguir culpas reais e irreais. Se a culpa for real, perdoe-se pelo que aconteceu. Se for uma falsa culpa, aprenda a dar limites aos pensamentos de culpa quando eles vierem.
  5. Evite tomar decisões muito importantes no período de luto. Pode acontecer de você, logo após a morte de um querido, ter dificuldade em se concentrar nas suas atividades diárias e tomar decisões. Peça ajuda a alguém se você precisa tomar decisões num momento desses, isto será mais prudente.
  6. Lidando com dias e datas difíceis. Datas de aniversário e feriados como Natal, Ano Novo, Páscoa e outros, podem ser momentos bastante difíceis de serem encarados após a morte de alguém querido. Por isso, planeje passar estas datas com amigos ou familiares a fim de receber apoio e ter companhia.
  7. Não se culpe por se sentir bem. É comum pessoas não se sentirem à vontade para sorrirem e terem momentos felizes e agradáveis após uma grande perda. Não se sinta culpado em se sentir bem e feliz quando estes sentimentos vierem. Voltar a ter momentos de felicidade não significa diminuir o valor que você dava a esta pessoa. Isto faz parte da recuperação e da finalização do luto.

Como se preparar para a morte?

Será que é possível se preparar para a morte? Esse assunto é desconfortável para você? Bem, algumas pessoas não gostam nem de pensar sobre a morte. De fato, é um assunto doloroso. Mas, para pessoas que estão com uma idade muito avançada ou para aquelas que estão enfrentando uma doença em estágio terminal, pode ser bastante benéfico pensar e ter um diálogo aberto sobre este assunto com pessoas mais próximas e queridas. Que atitudes podem ajudar uma pessoa a se preparar para o estágio final da vida? Aí vão algumas dicas:

  1. Ter uma rede social de amigos e familiares queridos. A presença de alguém que você conhece e ama colabora para o desenvolvimento de um sentimento de acolhimento muito necessário em um momento de dor ou de medo.
  2. Ter gratidão por pessoas e por momentos de sua vida. O sentimento de satisfação ao se lembrar de relacionamentos e situações que aconteceram ou ainda acontecem permite que a pessoa se sinta feliz com sua jornada de vida e se sinta tranquila com relação ao futuro.
  3. Manter uma rotina de atividades. Algumas pessoas idosas ou em algum estágio terminal de uma doença deixam de fazer atividades que ainda poderiam ser feitas, mas que são deixadas de lado por um sentimento de desistência da vida. No entanto, é importante para a manutenção da vida que a pessoa continue se sentindo útil realizando tarefas possíveis tendo a alegria em atividades prazerosas. Tarefas como artes manuais, ouvir ou tocar uma boa música, participar de atividades que beneficiem o próximo ou uma simples caminhada em meio à natureza podem ser altamente construtivas e recompensadoras para essas pessoas;
  4. Avaliar a necessidade de reparar algum erro, pedir perdão ou perdoar. Não é possível sentir tranquilidade e paz interior enquanto tivermos algo não resolvido com alguém. Quando a reconciliação é feita, prestamos um favor a nós mesmos, pois liberamos o ressentimento que inevitavelmente nos aprisionava;
  5. Ter fé e esperança de que Jesus restaurará todas as coisas em Sua segunda vinda. A esperança da salvação em Jesus apesar da morte é um grande conforto e nos permite passar pelos últimos momentos da vida em paz. A Bíblia diz que Jesus ressuscitará, em Sua segunda vinda, todos aqueles que morreram crendo nEle (1 Tessalonicenses 4:16, 17). Além dessa bendita esperança, Jesus assegurou que estaria conosco em todos os momentos, até durante a caminhada pelo “vale da sombra da morte” (Salmo 23:4). Que promessa fantástica!

Convivendo com alguém em fase terminal

Este é um período muito difícil não só para o próprio paciente, mas para a família e os amigos mais próximos. Muitos tentam viver como se isto não estivesse acontecendo, até mesmo com a boa intenção de não demonstrar tristeza para a pessoa doente. No entanto, por mais que finjam um bem-estar, todos sabem, no fundo, o que está se passando e deixam de expressar suas emoções e conversar sobre assuntos relevantes que talvez não possam ser conversados posteriormente. Portanto, algumas atitudes podem ajudar a família a se organizar melhor neste momento:

  1. Não negue o fato de a doença existir e da possibilidade da morte. A negação da realidade exige mais das pessoas do que o sofrimento que vem com a aceitação.
  2. Faça companhia ao doente. A solidão pode ser bastante dolorosa, principalmente no final da vida. Portanto, mantenha a proximidade, a conversa e o encorajamento.
  3. Permita que a pessoa fale sobre a morte. Se a pessoa doente quiser falar sobre seus desejos antes de morrer, sobre o medo de morrer, se quiser conversar especialmente com alguém antes de morrer, tudo isto deve ser levado em consideração e respeitado.
  4. Ouça o doente. Certamente muitas coisas estão se passando na mente dele. Deixe que ele fale e tenha paciência e empatia para ouvi-lo.
  5. Controle sua raiva ou irritação. É comum que pacientes terminais tenham momentos frequentes de reclamação, de resmungo ou de falta de paciência, afinal, a condição da doença, de seus sintomas e do medo da morte, mexem com a sua saúde emocional. Em momentos assim, não o critique. Lembre-se de que estas atitudes provavelmente não são contra você, mas resultados de angústias emocionais da situação que está sendo vivenciada.
  6. Fortaleça-a espiritualmente. Ore com esta pessoa. Cante hinos para ela ou com ela. Leia trechos da Bíblia que a acalmem e relembrem sobre a esperança em que você crê.

VOCÊ E O CRIADOR

A morte é uma intrusa em nossa existência. Ninguém quer morrer ou perder algum ente querido. Toda perda dói, machuca e produz grandes sofrimentos emocionais. O que fazer quando somente a dor nos resta? Aprendemos nesse estudo que devemos permitir que a dor seja sentida e precisamos crer que ela vai passar. A promessa de Deus é: “Como alguém a quem sua mãe consola, assim eu vos consolarei” (Isaías 66:13). Podemos sim nos recuperar do luto! Temos um motivo muito significativo para isso: “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (João 11:25). Quando Jesus voltar, Ele ressuscitará todos aqueles que morreram crendo nEle. A morte não é o fim. Jesus é a única solução para essa triste realidade. Você acredita nessa esperança? Então aceite agora a Jesus como o seu Salvador e Senhor.

volta de Jesus

Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou”. Apocalipse 21:4

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